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No escuro

Published by PÚBLICO

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Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

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  1. Hope é o filme mais divertido que vimos este ano. Os monstros vieram da Coreia from No escuro, opens in a new tab

    Sep 11, 202638 min

    Monstros (mas o que s&atilde;o os monstros, afinal?) e humanos numa pequena cidade perto da zona desmilitarizada que separa as duas Coreias. Homens com armas nas m&atilde;os, sem saber como travar uma orgia de destrui&ccedil;&atilde;o inexplic&aacute;vel, descri&ccedil;&otilde;es escatol&oacute;gicas detalhadas, gente estranha, a com&eacute;dia humana em vers&atilde;o filme cat&aacute;strofe, em vers&atilde;o filme de extraterrestres, em vers&atilde;o western . Seres que podem ter sa&iacute;do da saga Alien ou de Avatar . Hope , do coreano Na Hong-jin, &eacute; um alucinante divertimento, com uma primeira hora de uma persegui&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o vamos esquecer t&atilde;o cedo. Em que momento os coreanos transformaram a influ&ecirc;ncia norte-americana em algo muito pr&oacute;prio, com um humor que mistura cr&iacute;tica social e viol&ecirc;ncia de desenhos animados? O que &eacute; certo &eacute; que o Governo coreano percebeu a for&ccedil;a do <em>soft power</em> e a cultura est&aacute; no centro da sua estrat&eacute;gia. Mas se a estreia de Hope nas salas portuguesas marca a rentr&eacute;e, no Festival de Veneza, Vasco C&acirc;mara tamb&eacute;m se entusiasmou com um filme vindo da Coreia do Sul: Possible Love , de Lee Chang-dong, mais uma vez um olhar sobre a com&eacute;dia humana, mas este mais melanc&oacute;lico. &Eacute; a hist&oacute;ria de dois casais e de uma &ldquo;​possibilidade&rdquo; acontecer entre eles. "N&atilde;o h&aacute; uma moral da hist&oacute;ria, nem crime e castigo, nem espect&aacute;culo de '​filme de g&eacute;nero' com os ricos e os pobres, aquilo que se generalizou cinematograficamente a partir do sucesso de Parasitas , de Bong Joon-ho (2019). Este &eacute; um filme, explicou o realizador, nascido do confronto de um t&iacute;mido com as impar&aacute;veis mudan&ccedil;as nas sociedades", escreveu Vasco, a partir de Veneza. E tamb&eacute;m em Veneza foi mostrado aquele que prometia ser um dos filmes mais importantes do festival: NAZA , feito por uma dupla israelita, Yuval Abraham e Rachel Szor , parte de uma investiga&ccedil;&atilde;o de 2023 que p&ocirc;s a falar ex-funcion&aacute;rios israelitas do sistema de morte em Gaza. &Eacute; uma fria m&aacute;quina de guerra, distante das suas v&iacute;timas e indiferente ao mal que causa que se revela neste filme impressionante. &Eacute; da Coreia e dos seus monstros fict&iacute;cios e de Gaza e do seu terror real que falamos neste epis&oacute;dio do No Escuro. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, &eacute;: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. Afinal, isto (também) é o Bangladesh from No escuro, opens in a new tab

    Sep 4, 202629 min

    Rubaiyat Hossain &eacute; do Bangladesh e esteve em Portugal para a p&oacute;s-produ&ccedil;&atilde;o do seu mais recente filme, A Noiva Dif&iacute;cil , que tem fotografia da portuguesa Leonor Teles, e que ser&aacute; apresentado no Festival de Veneza, que acaba de come&ccedil;ar. Nessa passagem por Lisboa, encontrou uma comunidade triste e "de cabe&ccedil;a baixa" quando passeou pela Rua do Benformoso e percebeu que &eacute; com desconfian&ccedil;a que se olha para quem chega do Bangladesh - a indigna&ccedil;&atilde;o do Chega e de Andr&eacute; Ventura, proclamando que "Isto N&atilde;o &Eacute; o Bangladesh" ter&aacute; tido o seu efeito. Mas em Rubaiyat, cujo cinema denuncia desequil&iacute;brios sociais, de g&eacute;nero e de classe (veja-se Made In Bangladesh sobre um grupo de oper&aacute;rias de uma f&aacute;brica de roupa que querem fazer um sindicato), a campanha do Chega teve um efeito certamente contr&aacute;rio ao pretendido: a realizadora decidiu fazer um filme passado em Portugal. Quer mostrar como a hist&oacute;ria dos dois pa&iacute;ses se cruza desde h&aacute; muito e, para isso, criou a personagem de uma empregada de limpeza de um museu de Lisboa que se confronta com esse passado comum. O Vasco C&acirc;mara j&aacute; est&aacute; em Veneza e vai ver como A Noiva Dif&iacute;cil ser&aacute; recebido, mas, para j&aacute;, a not&iacute;cia que deixou o festival em alvoro&ccedil;o foi dada &agrave; &uacute;ltima hora (e n&atilde;o ter&aacute; sido por acaso): Veneza vai mostrar NAZA , o novo filme de Yuval Abraham e Rachel Szor, a metade israelita do quarteto israelo-palestiniano (com Basel Adra e Hamdan Ballal) que realizou No Other Land , o document&aacute;rio que venceu um &Oacute;scar no ano passado. NAZA &eacute; um acr&oacute;nimo usado pelos servi&ccedil;os secretos israelitas que se refere aos civis mortos em opera&ccedil;&otilde;es militares - baixas que s&atilde;o assumidas como parte da estrat&eacute;gia adoptada contra a popula&ccedil;&atilde;o palestiniana na sequ&ecirc;ncia dos ataques de 7 de Outubro de 2023. &Eacute; o Festival de Veneza a tomar uma clara posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, mostrando que h&aacute; vida mesmo quando os mais medi&aacute;ticos filmes americanos n&atilde;o comparecem - primam pela aus&ecirc;ncia Digger , de Alejandro Gonz&aacute;lez I&ntilde;arritu ou The Adventures of Cliff Booth , de David Fincher, e os respectivos actores, Tom Cruise e Brad Pitt. Neste epis&oacute;dio vamos falar disto - e do Bangladesh em Portugal. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, &eacute;: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  3. A doçura da Reboleira de Basil da Cunha — nem o jacaré mete medo from No escuro, opens in a new tab

    Aug 28, 202635 min

    Isto n&atilde;o &eacute; um spoiler (e um dia destes temos de falar sobre spoilers ): o jacar&eacute; &eacute; mesmo um jacar&eacute;, n&atilde;o &eacute; a alcunha de algu&eacute;m. Falamos de O Jacar&eacute; , filme de Basil da Cunha, ainda (mas n&atilde;o sempre, porque ele diz que ser&aacute; o &uacute;ltimo nestes moldes) na Reboleira, o bairro onde escolheu viver com a comunidade que se tornou parte integrante da sua obra cinematogr&aacute;fica at&eacute; hoje. Para quem viu os filmes anteriores deste cineasta luso-su&iacute;&ccedil;o &mdash; falamos de At&eacute; Ver a Luz (2013), O Fim do Mundo (2019), Manga d'Terra (2023) &mdash; &eacute; o regresso a rostos conhecidos, numa mistura entre identidades reais e personagens. S&atilde;o, na verdade, grandes actores, nesta mistura de vida e cinema. &Eacute; a periferia, sim, mas Basil da Cunha n&atilde;o &eacute; o Pedro Costa de No Quarto da Vanda , nem o Pedro Cabeleira de Entroncamento , &eacute; outra coisa, um olhar sobre a Reboleira que parte de dentro e que, mesmo atravessado pela dureza das vidas, nunca vai pela escurid&atilde;o, mas sim pela m&uacute;sica, pela festa, pelo inusitado que pode ser &mdash; e, neste caso, &eacute; &mdash; um jacar&eacute; numa piscina. H&aacute; gangsters , gangues rivais, o dinheiro de um roubo que desaparece e que todos querem encontrar, h&aacute; mulheres que n&atilde;o se deixam ficar, discuss&otilde;es, ci&uacute;mes, trai&ccedil;&otilde;es. H&aacute; ecos da Nova Iorque de Martin Scorsese, do Bronx, da Brooklyn de Spike Lee em N&atilde;o D&ecirc;s Bronca. E h&aacute; um bairro, a Reboleira, que foi desaparecendo &agrave; medida que Basil o ia filmando &mdash; muitos dos lugares dos seus filmes j&aacute; n&atilde;o existem e com eles desaparecem tamb&eacute;m liga&ccedil;&otilde;es, hist&oacute;rias, cumplicidades, solidariedades. Os filmes t&ecirc;m ido ao Festival de Locarno, mas os pr&eacute;mios ainda n&atilde;o chegaram &mdash; sinal de que h&aacute; ainda ideias demasiado r&iacute;gidas sobre o que deve ser o cinema portugu&ecirc;s? &Eacute; uma pergunta que fazemos neste epis&oacute;dio do No Escuro. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, &eacute;: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  4. Que belos desastres, os de Hitchcock, Kubrick, Spielberg, Coppola ou Cimino from No escuro, opens in a new tab

    Aug 21, 202650 min

    Que lindos que s&atilde;o, estes desastres, que objectos fascinantes. E t&atilde;o magoados! Para o espectador, &eacute; como o fen&oacute;meno do acidente na auto-estrada: &eacute; despertado o voyeurismo de quem passa e tamb&eacute;m o desejo salv&iacute;fico, de socorrer o ferido. Hoje, curioso o destino do flop comercial &mdash; &eacute; disso que tratamos neste epis&oacute;dio de No Escuro &mdash;, aquele filme que destruiu ou mudou carreiras, que levou companhias &agrave; fal&ecirc;ncia, tornou-se um objecto de culto, amado e preservado com carinho. Desprezados na altura, s&atilde;o hoje tratados com desvelo. Filmes de culto, &eacute; como lhes chamam. Revisitamos as suas hist&oacute;rias neste epis&oacute;dio de No Escuro, come&ccedil;ando pelo emblem&aacute;tico As Portas do C&eacute;u , de Michael Cimino, que n&atilde;o s&oacute; fez do realizador praticamente um p&aacute;ria como p&ocirc;s fim ao mais autoral per&iacute;odo da ind&uacute;stria norte-americana. Ou, numa perspectiva da ind&uacute;stria, que em consequ&ecirc;ncia disso se fechou, que se tornou mais conservadora: acabou com a arrog&acirc;ncia dos realizadores! S&atilde;o estes "falhan&ccedil;os" que contamos, do insucesso de bilheteira ao verdadeiro desastre. &Eacute; mais do que um vol d'oiseau, portanto , tendo em est&uacute;dio os sons e as hist&oacute;rias de Vertigo e de Do C&eacute;u Caiu uma Estrela , hoje objectos can&oacute;nicos, mas na sua &eacute;poca ignorados pelos espectadores; de um cl&aacute;ssico, A Noite do Ca&ccedil;ador , que hoje vemos prostrados de admira&ccedil;&atilde;o, mas que na sua &eacute;poca tornou Charles Laughton realizador de um s&oacute; filme; de 1941-Ano Louco em Hollywood , que primeiro p&ocirc;s &agrave; prova a fama de Spielberg como o realizador que transformava tudo em ouro; das derrocadas que varreram do centro da ind&uacute;stria Cimino, Bogdanovich ou o hoje esquecido John Byrum, que nos anos 80 chegou a ser um boy wonder; do primeiro fracasso que humilhou o at&eacute; ent&atilde;o sempre vencedor Schwarzenegger...; do odiado casal, porque visto como arrogante, Cybill Shepherd/Peter Bogdanovich. Por ordem de antiguidade, n&atilde;o pela ordem em que s&atilde;o referidos no podcast , eis os feridos: Queen Kelly (1928/29) Erich von Stroheim Do C&eacute;u Caiu uma Estrela (1946) Frank Capra A Noite do Ca&ccedil;ador (1955) Charles Laughton Vertigo (1958) Alfred Hitchcock 2001 Odisseia no Espa&ccedil;o (1968) Stanley Kubrick Daisy Miller (1974) Peter Bogdanovich Barry Lyndon (1975) Stanley Kubrick New York, New York (1977) Martin Scorsese 1941 Ano Louco em Hollywood (1979) Steven Spielberg As Portas do C&eacute;u (1980) Michael Cimino The Shining (1980) Stanley Kubrick Do Fundo do Cora&ccedil;&atilde;o (1981) Francis Ford Coppola Blade Runner (1982) Ridley Scott O Fio da Navalha (1984) John Byrum Ishtar (1987) Elaine May O &Uacute;ltimo Grande Her&oacute;i (1993) John McTiernan No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). A sonoplastia &eacute; do Tiago Orato. #levantemoraboevaoaocinema See omnystudio.com/listener for privacy information.

  5. Há 100 novos títulos na Filmin. Excepção! Sem levantar o rabo, grande cinema from No escuro, opens in a new tab

    Aug 14, 202639 min

    H&aacute; plataformas de streaming e plataformas de streaming . Algumas transformaram-nos em consumidores (sabem de quem se fala). Outras permitem que sejamos espectadores mesmo, curadores da nossa aventura. Vamos directos ao assunto. A Filmin renovou no in&iacute;cio de Julho o seu cat&aacute;logo com mais de 100 filmes. Est&atilde;o l&aacute; t&iacute;tulos aclamados como Amadeus e Voando Sobre um Ninho de Cucos , de Milo&scaron; Forman, cineasta que vai ser objecto de uma retrospectiva no Batalha Centro de Cinema , no Porto, A Insustent&aacute;vel Leveza do Ser, de Philip Kaufman, A Costa do Mosquito , de Peter Weir, Ran , de Akira Kurosawa, O &Uacute;ltimo Ano em Marienbad, de Alain Resnais, Ser ou N&atilde;o Ser , de Lubitsch, Cais das Brumas , de Marcel Carn&eacute; (" t'as d'beaux yeux, tu sais" ), O Relojoeiro de Saint-Paul , de Bertrand Tavernier , um dos seus mais belos mas razoavelmente desconhecido, ou Um Homem e Uma Mulher , de Claude Lelouch. Mas tamb&eacute;m os chamados "cl&aacute;ssicos modernos", como Ghost Dog: O M&eacute;todo do Samurai , de Jarmusch, Virgens Suicidas , de Sofia Coppola, Um Cora&ccedil;&atilde;o no Inverno , de Claude Sautet , autor de uma "m&uacute;sica" delicada que em surdina influenciou o cinema franc&ecirc;s, Abril e Quarto do Filho de Nanni Moretti , o David Lynch de Mulholland Drive , O Homem Elefante e Uma Hist&oacute;ria Simples, o Godard de O Acossado , Pedro, o Louco , Alphaville e O Desprezo, o John Carpenter de Eles Vivem , O Nevoeiro e O Pr&iacute;ncipe das Trevas.​ Come&ccedil;amos, No Escuro, por aqui: por um cineasta que pode ser simultaneamente glacial e comovente, Jean-Pierre Melville ( O C&iacute;rculo Vermelho , O Ex&eacute;rcito das Sombras , Bob, o Jogador e Cai a Noite Sobre a Cidade ); pelo sortil&eacute;gio do cinema de Luis Bu&ntilde;uel, realizador que, como quem n&atilde;o quer a coisa, derruba as resist&ecirc;ncias e descren&ccedil;as do espectador, algo que se aproxima do verdadeiro hipnotismo ( A Bela de Dia , O Charme Discreto da Burguesia e Este Obscuro Objecto do Desejo ); por todo o Tati, o eterno e eternamente l&uacute;cido Sr. Hulot; pela passagem de Francis Ford Coppola para o "outro lado", One From The Heart e Apocalypse Now (e Os Marginais em vers&atilde;o integral); por Alain Delon , o actor com as mais belas mortes no cinema, e Patrick Dewaere , que talvez tenha morrido por causa do cinema. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). #levantemoraboevaoaocinema Siga o podcast podcast No Escuro e receba cada epis&oacute;dio semanalmente, &agrave;s sextas-feiras, no Spotify , na Apple Podcasts ou novas aplica&ccedil;&otilde;es para podcasts. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  6. Carlos Paião voltou! Trouxe os nossos fantasmas from No escuro, opens in a new tab

    Aug 7, 202640 min

    Seguimos neste epis&oacute;dio o rasto de um cometa: Carlos Pai&atilde;o. Figuras da pol&iacute;tica ou do espect&aacute;culo como M&aacute;rio Soares, &Aacute;lvaro Cunhal, Snu Abecassis e S&aacute; Carneiro, Doce e Ant&oacute;nio Varia&ccedil;&otilde;es tiveram o seu biopic ou foram objecto de interesse de realizadores portugueses. Mas os anos 80 do s&eacute;culo XX portugu&ecirc;s nunca foram mostrados assim, como em Playback, de S&eacute;rgio Graciano. T&atilde;o tristes e melanc&oacute;licos que n&oacute;s (ainda) &eacute;ramos. Comovente, isto: n&atilde;o &eacute; um filme sobre Carlos Pai&atilde;o (1957-1988); &eacute; um filme com Carlos Pai&atilde;o. Como uma presen&ccedil;a que nunca desapareceu, que existe muito no fundo de n&oacute;s, mas que talvez n&atilde;o soub&eacute;ssemos que ainda vivia. Ou a nossa mem&oacute;ria fez das suas, exerceu o seu capricho e imprimiu, antes, a "modernidade", a noite, a " movida ", Portugal longe do Estado Novo e despedindo-se tamb&eacute;m da &eacute;poca revolucion&aacute;ria. A Lisboa de Ant&oacute;nio Varia&ccedil;&otilde;es , por exemplo. Assim, existiu um de um lado e outro no extremo oposto. Mas s&oacute; os dois formam o retrato completo. Porque &eacute; que uma figura t&atilde;o provocadora, t&atilde;o extravagante como Varia&ccedil;&otilde;es (1944-1984) foi entronizada depois da sua morte e Pai&atilde;o &mdash; que escreveu para Herman Jos&eacute; e passou 12 can&ccedil;&otilde;es a Am&aacute;lia (que s&oacute; gravou O senhor extraterrestre ), que venceu o Festival da Can&ccedil;&atilde;o, que teve at&eacute; aos seus 30 anos 300 can&ccedil;&otilde;es na cabe&ccedil;a &mdash; permanece subterr&acirc;neo? Ou ter&aacute; finalmente chegado a sua hora? Legendary Tigerman/Paulo Furtado acompanha-nos nestes pensamentos. Foi ele que trabalhou a banda sonora do filme &mdash; de que consta um in&eacute;dito, Lisboa, Lisboa &mdash; e formou uma banda que tem como vocalista Rafael Ferreira, o int&eacute;rprete de Pai&atilde;o no filme, que se apresentar&aacute; em concertos no final do ano. T&atilde;o melanc&oacute;licos, at&eacute; sombrios, t&atilde;o trapalh&otilde;es e t&iacute;midos e t&atilde;o desconfort&aacute;veis na nossa pele que n&oacute;s &eacute;ramos. Os nossos fantasmas: vemo-los em Playback . No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, &eacute;: #levantemoraboevaoaocinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  7. Eis em Portugal o filme que deixou Coppola e Scorsese boquiabertos: Soy Cuba from No escuro, opens in a new tab

    Jul 31, 202639 min

    Estava a preparar Casino (1995), Martin Scorsese, quando descobriu a primeira co-produ&ccedil;&atilde;o entre a URSS de Nikita Khrushchev e a Cuba de Fidel Castro. Virtuoso obsessivo, ficou a matutar nos imposs&iacute;veis movimentos de c&acirc;mara que o georgiano Mikhail Kalatozov (1903-1973) concretizara em Havana em 1964. Onde desembarcara, vindo do frio da URSS, para fazer um filme que cantasse a revolu&ccedil;&atilde;o tropical, caribenha, que descera da serra Maestra e derrubara o regime de Fulgencio Batista, e para dessa forma a acrescentar &agrave; internacional comunista. E assim prolongar, cinematograficamente, as suas inven&ccedil;&otilde;es formais que tinham estado ao servi&ccedil;o da propaganda sovi&eacute;tica nos anos 30. Ficaram, Scorsese e Coppola, embasbacados com Soy Cuba (1964). Scorsese ficou a cismar naquela c&acirc;mara que sobe ao terra&ccedil;o de um edif&iacute;cio, onde as pot&ecirc;ncias internacionais se divertem, fazendo do regime do Presidente Fulgencio Batista (1901-1973) o seu parque de divers&otilde;es e espolia&ccedil;&otilde;es, e depois desce do outro lado e mergulha numa piscina de hotel. Ou aquele, ainda mais "imposs&iacute;vel": o plano come&ccedil;a na rua, a c&acirc;mara sobe a um edif&iacute;cio, passa para outro, onde est&aacute; instalado um atelier de charutos, percorre-o, sai pela janela e voa sobre uma rua onde decorre o funeral de um estudante morto durante uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra Batista. Por isso decidiram juntar-se, Coppola e Scorsese, e distribuir Soy Cuba comercialmente nos Estados Unidos. Foi ent&atilde;o que o filme que os sovi&eacute;ticos e os cubanos tinham esquecido mal tinha sido acabado &mdash; sobre essa incompreens&atilde;o m&uacute;tua conversamos neste epis&oacute;dio do podcast &mdash; p&ocirc;de recome&ccedil;ar a viver e ser redescoberto, tr&ecirc;s d&eacute;cadas depois. Com um aval de tipo absolutista de Scorsese: se tivesse sido difundido e conhecido em 1964, dizia o realizador em 2003 numa entrevista ao cr&iacute;tico de cinema e escritor Richard Schickel, "o cinema teria mudado", "o cinema teria sido diferente mais cedo". &Eacute; este filme que vamos descobrir no dia 13 de Agosto. Um Ver&atilde;o quente (cin&eacute;filo) confirma-se: A Saga de Anatahan , de Josef von Sternberg (dia 6), Soy Cuba , de Mikhail Kalatozov (dia 13), A Piscina , de Jacques Deray (dia 20) integram um programa de cl&aacute;ssicos que descem &agrave;s salas. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, &eacute;: #levantemoraboevaoaocinema See omnystudio.com/listener for privacy information.

  8. Tom Cruise vai salvar o mundo (de novo). Seth Rogen não sabe se se salva a si mesmo — e isso tem graça from No escuro, opens in a new tab

    Jul 24, 202636 min

    Rei morto, rei posto: ainda Ulisses n&atilde;o chegou a casa (mas a Odisseia de Christopher Nolan , como se previa, bateu recordes de bilheteira logo nos primeiros dias) e j&aacute; as redes sociais se agitam com imagens do pr&oacute;ximo blockbuster . Para vermos o filme completo, temos de esperar por Outubro, mas o trailer j&aacute; est&aacute; a&iacute;. Falamos de Digger de Alejandro I&ntilde;arritu, mas falamos sobretudo da sua estrela, um quase irreconhec&iacute;vel Tom Cruise , envelhecido e mais gordo atrav&eacute;s de pr&oacute;teses, no papel de um bilion&aacute;rio exc&ecirc;ntrico. O discurso motivador do actor na cerim&oacute;nia de encerramento do Mundial de Futebol, no est&aacute;dio MetLife, em Nova Jersey (h&aacute; quem diga que ficou desiludido porque esperava um impacto maior) come&ccedil;ou logo a ajudar como promo&ccedil;&atilde;o do filme. E fez lembrar o seu voo sobre outro est&aacute;dio, noutra cidade, noutro pa&iacute;s: Paris, Stade de France, final das Olimp&iacute;adas de 2024. Diferente cen&aacute;rio, mas a mesma vontade de tornar o mundo (a Am&eacute;rica, ele pr&oacute;prio) grande outra vez. Ser&aacute; impress&atilde;o nossa ou a cad&ecirc;ncia da voz de Trump pareceu ecoar no discurso de Cruise? Actor corajoso e talentoso &mdash;​ n&atilde;o esquecemos De Olhos Bem Fechados , um salto de f&eacute; com Kubrick &mdash; &eacute; o tipo de estrela que parece engolir tudo &agrave; sua volta. N&oacute;s pusemo-nos a olhar para esse hype . O que nos levou a outro actor. Que em alguns casos &eacute; tamb&eacute;m realizador e produtor: Seth Rogen . Junta-se a Oliva Wilde, realizadora e actriz de O Convite , e a Pen&eacute;lope Cruz e Edward Norton, numa com&eacute;dia dram&aacute;tica sobre a vida de casal. &Eacute; um inesperado sucesso neste Ver&atilde;o. E &eacute; o pretexto para falarmos sobre int&eacute;rpretes &mdash; por exemplo: haver&aacute; demasiada auto-irris&atilde;o em Rogen, o eterno anti-gal&atilde; desajeitado que, apesar disso, muitas vezes fica com a mi&uacute;da?&mdash;, os registos televisivo e cinematogr&aacute;fico, a influ&ecirc;ncia do humor de canadianos e judeus em Hollywood, e at&eacute; o que faz o sotaque de Pen&eacute;lope Cruz &agrave; sua carreira. E porque nem s&oacute; de blockbusters ou de sucessos inesperados se faz o cinema, n&atilde;o esquecemos uma pequena p&eacute;rola indiana que est&aacute; nas salas, O Canto das &Aacute;rvores Esquecidas , de Anuparna Roy &mdash; a &Iacute;ndia das castas, as press&otilde;es sociais, os homens que usam as mulheres, as mulheres que usam os homens mas que criam la&ccedil;os &uacute;nicos entre elas. Um filme muito pessoal, profundamente corajoso, feito com poucos recursos &mdash; nos ant&iacute;podas de Digger . No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, &eacute;: #levantemoraboevaoaocinema See omnystudio.com/listener for privacy information.

  9. O tradutor de Homero não quer ver "A Odisseia". Porquê, Frederico Lourenço? from No escuro, opens in a new tab

    Jul 17, 202637 min

    A Frederico Louren&ccedil;o devemos-lhe estes &eacute;picos trabalhos: em 2003 traduziu em verso, do grego, a Odisseia de Homero (pela qual recebeu o Pr&eacute;mio D. Dinis da Casa de Mateus e o Grande Pr&eacute;mio de Tradu&ccedil;&atilde;o APT/Pen Clube), e, dois anos depois, a Il&iacute;ada; em 2016, passou dos cl&aacute;ssicos gregos para a B&iacute;blia grega , e isso foi o pretexto mais pr&oacute;ximo para a atribui&ccedil;&atilde;o do Pr&eacute;mio Pessoa. &Eacute; tamb&eacute;m ficcionista, ensa&iacute;sta e poeta. E professor universit&aacute;rio. Concentrado nos estudos e na tradu&ccedil;&atilde;o do grego e do latim, n&atilde;o deixou no entanto de ser o cin&eacute;filo que sempre foi. Trabalhou inclusivamente como cr&iacute;tico deste jornal. E foi por isso tamb&eacute;m que tivemos o prazer de fazer este her&oacute;i regressar a casa. Por um epis&oacute;dio do podcast No Escuro. Para nos explicar as suas raz&otilde;es: &eacute; que decidiu n&atilde;o ir ver A Odisseia , de Christopher Nolan. T&ecirc;m de ouvir a conversa para saber porqu&ecirc;. Resumido seria assim: desde os oito anos, quando leu pela primeira vez uma vers&atilde;o juvenil de Odisseia, que o futuro helenista tem todo esse filme na cabe&ccedil;a; por isso, tudo o que algu&eacute;m queira acrescentar com actores e efeitos especiais, n&atilde;o menosprezando a capacidade de uma grande produ&ccedil;&atilde;o em levar mais leitores aos cl&aacute;ssicos, parece-lhe redundante. Mas n&oacute;s vimos o filme. E como o resto do mundo, estamos divididos. Entre a cren&ccedil;a na proposta de aventura e, do outro lado, a confirma&ccedil;&atilde;o de que Christopher Nolan pensa e opina como um cineasta do s&eacute;culo XX &mdash; a import&acirc;ncia das salas e o sortil&eacute;gio da pel&iacute;cula, o bra&ccedil;o de for&ccedil;a com as plataformas de streaming &mdash; mas faz filmes do s&eacute;culo XXI: uma sopa triturada, sem dar a provar a distin&ccedil;&atilde;o, a nobreza, dos ingredientes que utiliza. Em suma, tamb&eacute;m se pode perguntar: &eacute; redundante ou &eacute; &uacute;til esta entrega de Ulisses a quem nunca pensaria em ler a Odisseia e pode, afinal, aventurar-se por ela? No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo, &eacute;: #levantemoraboevaoaocinema See omnystudio.com/listener for privacy information.

  10. No cinema americano quanto mais quente melhor from No escuro, opens in a new tab

    Jul 10, 202639 min

    Quais s&atilde;o os filmes mais quentes do cinema norte-americano? H&aacute; ondas de calor na tela pelo menos desde os anos 50 do s&eacute;culo passado. Mas se nesse tempo de alguma inoc&ecirc;ncia, elas libertam &mdash; as pernas de Marilyn quando o seu vestido branco &eacute; levantado pelo ar do respiradouro do metro em O Pecado Mora ao Lado &mdash;, em tempos de maior tens&atilde;o, elas oprimem: veja-se, j&aacute; nos anos 90, a f&uacute;ria de um homem vulgar numa cidade que lhe &eacute; hostil, o Michael Douglas de Um Dia de Raiva . H&aacute; calor que traz os segredos para onde podem ser vistos por todos, como em Janela Indiscreta , de Alfred Hitchcock, e calor que faz os &oacute;dios acumulados explodirem nas ruas, como o de N&atilde;o D&ecirc;s Bronca , de Spike Lee ou o de Um Dia de C&atilde;o , de Sidney Lumet , com Al Pacino num falhado assalto a um banco num dia de calor excepcional. Nos filmes adaptados de pe&ccedil;as de Tennessee Williams, &eacute; o calor sufocante do Sul dos Estados Unidos que molda os conflitos. O corpo suado de Marlon Brando em Um El&eacute;ctrico Chamado Desejo &eacute; a imposi&ccedil;&atilde;o de um lado selvagem contra o fr&aacute;gil verniz social da cunhada, a Blanche Dubois de Vivien Leigh. Em Gata em Telhado de Zinco Quente , os conflitos familiares explodem mas o cinema, esse meio de massas, n&atilde;o pode ir t&atilde;o longe quanto a escrita de Tennessee Williams e, por isso, a homossexualidade de Brick, a personagem de Paul Newman, &eacute; apenas sugerida &mdash; tal como a possibilidade de infidelidade de Richard Sherman (Tom Ewell) de O Pecado Mora ao Lado n&atilde;o passar&aacute; de uma fantasia nunca concretizada. O calor opressivo &mdash; de diversas formas &mdash; do Sul &eacute; diferente das temperaturas escaldantes de cidades como Los Angeles ou Nova Iorque. Mas ambos marcam no nosso imagin&aacute;rio essa Am&eacute;rica criada pelo cinema. Neste epis&oacute;dio do No Escuro, a partir de um Portugal que enfrenta uma onda de calor, perguntamos o que nos querem dizer os filmes em que os term&oacute;metros n&atilde;o param de subir. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). E o nosso lema, o nosso apelo: #levantemoraboevaoaocinema See omnystudio.com/listener for privacy information.

  11. Muitos dos melhores filmes do ano são feitos por mulheres. "L’ Aventura" confirma-o from No escuro, opens in a new tab

    Jul 3, 202637 min

    Para Vasco C&acirc;mara, este filme - L'Aventura , da realizadora francesa Sophie Letourneur - &eacute; " um dos acontecimentos cinematogr&aacute;ficos do ano em Portugal". Foi, por isso, para n&oacute;s o ponto de partida para uma conversa sobre o cinema realizado por mulheres e a forma como, n&atilde;o s&oacute; este ano mas este ano de uma maneira muito evidente, nos tem trazido algumas das melhores surpresas. No caso deste filme, o Ver&atilde;o, mas um Ver&atilde;o, em viagem por It&aacute;lia, colado &agrave; pele das pequenas coisas que s&atilde;o as f&eacute;rias: crian&ccedil;as que fazem birras, quartos alugados que n&atilde;o s&atilde;o o que se esperava, uma filha mais velha que exige aten&ccedil;&atilde;o, a decis&atilde;o de onde se vai comer, o que se vai comer, a que praia se vai, tudo o que corre mal, e tamb&eacute;m o que corre bem, os momentos de t&eacute;dio e, de repente, algo que os faz rir todos juntos. E, no meio disto, um casal (ela &eacute; a pr&oacute;pria Sophie Letourneur, ele &eacute; o actor e m&uacute;sico Philippe Katherine) que se vai afastando. Nada de dram&aacute;tico. A vida, afinal. Mas n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil film&aacute;-la assim, t&atilde;o perto do que &eacute; a banalidade do quotidiano, e &eacute; isso que torna o trabalho de Sophie Letourneur t&atilde;o extraordin&aacute;rio - antes deste filme houve outro, Voyages en Italie (2023) tamb&eacute;m as f&eacute;rias, tamb&eacute;m It&aacute;lia, o mesmo casal, outro momento. Little Trouble Girls tamb&eacute;m est&aacute; nas salas e tamb&eacute;m foi realizado por uma mulher, a eslovena Urska Djukic, sobre mulheres, neste caso sobre raparigas, meninas de coro (literalmente) &agrave;s voltas com o corpo e o desejo. Aqui, temos a m&uacute;sica como manifesta&ccedil;&atilde;o de um corpo (individual e, depois, colectivo), as perguntas, a f&eacute; (das outras), as trai&ccedil;&otilde;es, a culpa, o aprender a crescer, a descoberta de que se &eacute; uma pessoa de corpo inteiro. Mais um pretexto, a juntar ao filme de Sophie Letourneur, para nos interrogarmos sobre o que &eacute; isso de um cinema de mulheres, feminino - se &eacute; que faz sentido a pergunta. N&atilde;o fugimos dela neste epis&oacute;dio 24 do No Escuro. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  12. Terror No Escuro: porque é que gostámos de "Obsessão" e não gostámos de "Backrooms"? from No escuro, opens in a new tab

    Jun 26, 202634 min

    Quarenta anos depois, Terror na Auto-Estrada , de Robert Harron, em nova c&oacute;pia 4 K regressa &agrave;s salas. E o muito amb&iacute;guo encontro entre um virginal C. Thomas Howell e um apol&iacute;neo Rutger Hauer, na paisagem americana, que foi um &ecirc;xito-surpresa no ano de 1986. Como quem n&atilde;o quer a coisa... custou alguns tost&otilde;es, fez milh&otilde;es. E fez medo. Tornou-se um filme de culto. Est&aacute; imaculado, asseguramos. Vale a pena experimentar a solid&atilde;o na auto-estrada, o c&eacute;u ilimitado e a chuva em ecr&atilde; grande. E depois regressar a casa ao som de Riders on the Storm , dos Doors, e a pensar: que bem ainda se filmava nos anos 80! Um antepassado, mutatis mutandis , de Backrooms - O Labirinto , de Kane Parsons, e de Obsess&atilde;o - A felicidade &eacute; relativa , de Curry Barker, que foram realizados por dois muito jovens cineastas que saltaram do Youtube para o ecr&atilde; de cinema, e que est&atilde;o a constituir um &ecirc;xito em todo o mundo, Portugal inclu&iacute;do, ultrapassando nas bilheteiras franchises como o &uacute;ltimo Star Wars . Pelos dados da proposta, facilmente se conclui que o mundo n&atilde;o &eacute; de facto o mesmo, o cinema muito menos, e que hoje se sobrep&otilde;e a tudo as leituras do "fen&oacute;meno". &Eacute; um c&iacute;rculo com algo infernal em que a aten&ccedil;&atilde;o cria a aten&ccedil;&atilde;o, e o jornalismo e a cr&iacute;tica se transformam em c&acirc;mara de eco. H&aacute; anos que se diz que o cinema de terror &eacute; o g&eacute;nero que sobrevive ao abandono das salas pelos espectadores, os mais jovens sobretudo, e estes est&atilde;o de facto a acorrer a Backrooms e a Obsess&atilde;o . Assim sendo, o que interessa se os filmes s&atilde;o interessantes ou n&atilde;o? Ainda h&aacute; espa&ccedil;o para falar disso? Interessa. A n&oacute;s interessa. Propomos, ent&atilde;o, neste epis&oacute;dios de No Escuro n&atilde;o ignorar o fen&oacute;meno sociol&oacute;gico mas tratar da coisa cinematogr&aacute;fica. Ligar, por exemplo, Terror na Auto-Estrada a Obsess&atilde;o , que constituiu de facto uma surpresa pelo cinema de outros tempos que tem dentro. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um trecho de The Hidden DesertThe Hidden Desert , gentilmente cedido por Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  13. Como com Lennon e McCartney, entre Truffaut e Godard é preciso escolher? from No escuro, opens in a new tab

    Jun 19, 202646 min

    Em 2005, a Cinemateca Portuguesa dedicou uma retrospectiva integral &agrave; obra de Fran&ccedil;ois Truffaut (1932-1984). Vinte anos depois, irradiando a partir do Cinema Trindade no Porto para o Nimas em Lisboa, uma &ldquo;quase integral&rdquo; &ndash; faltam dois filmes - volta a trazer &agrave;s salas portuguesas um nome que fazia os espectadores deslocarem-se (a um j&aacute; desaparecido cinema Londres, em Lisboa, por exemplo) para verem o &ldquo;novo filme de&hellip;&rdquo; Seria O &Uacute;ltimo Metro ou A Mulher do Lado , ou Finalmente Domingo! (e Truffaut morreu a um domingo&hellip;). Foram os t&iacute;tulos finais da sua obra, ele que cedo demais foi levado por um tumor no c&eacute;rebro. Quando morreu, tinha contribu&iacute;do para a ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica francesa com a &ldquo;inven&ccedil;&atilde;o&rdquo; do filme de autor popular. &Eacute; (tamb&eacute;m) por isso que Fran&ccedil;ois Truffaut &eacute; hoje um nome razoavelmente esquecido pela cinefilia, que entretanto santificou o seu compagnon de route tornado irm&atilde;o desavindo chamado Jean-Luc Godard? Um &eacute; o conservador, o outro o radical? Numa primeira abordagem a &ndash; assim se chama o ciclo - Ao Sol da Nouvelle Vague (&eacute; todo o Truffaut, excepto A Noite Americana e Fahrenheit 451- Grau de Destrui&ccedil;&atilde;o , cujos direitos neste momento est&atilde;o em transi&ccedil;&atilde;o), convidamos dois programadores: o &ldquo;nosso&rdquo; Lu&iacute;s Miguel Oliveira, da Cinemateca Portuguesa, e Francisco Valente, que tamb&eacute;m j&aacute; foi nosso colaborador e colaborador da Cinemateca e que agora, em Nova Iorque, faz a curadoria da programa&ccedil;&atilde;o de cinema do Museum of Modern Art (MoMA). O Lu&iacute;s Miguel trabalha com vista para o cartaz de O Acossado (Godard). Francisco Valente tem na parede o poster do ciclo de Truffaut de 2005 na Cinemateca. Com eles debatemos o significado de Truffaut hoje e inevitavelmente a oposi&ccedil;&atilde;o &ndash; que sempre mostra o rosto &ndash; entre duas figuras tornadas ideias opostas de cinema, Fran&ccedil;ois e Jean-Luc. Come&ccedil;amos por aqui e vamos por a&iacute;&hellip; No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  14. Spielberg diz que não estamos sozinhos. Sabíamos desde 1977. Para quê voltar a isso? from No escuro, opens in a new tab

    Jun 12, 202629 min

    H&aacute; meio s&eacute;culo que Steven Spielberg j&aacute; nos tinha avisado: eles est&atilde;o entre n&oacute;s. Eles s&atilde;o os extraterrestres, que chegaram ao cinema pelas m&atilde;os do realizador norte-americano em 1977, o ano de Encontros Imediatos de Terceiro Grau, um dos grandes momentos da arte cinematogr&aacute;fica do s&eacute;culo XX. E se agora Spielberg vem dizer que eles existem mesmo, que as Administra&ccedil;&otilde;es norte-americanas nos t&ecirc;m escondido a verdade ao longo de d&eacute;cadas e que &eacute; chegado o momento da revela&ccedil;&atilde;o &mdash; e se at&eacute; Barack Obama disse recentemente acreditar que h&aacute; vida noutros planetas (embora garanta que n&atilde;o h&aacute; segredos escondidos) &mdash; a verdade &eacute; que n&oacute;s j&aacute; acredit&aacute;vamos neles desde esse grande encontro de 77. Acredit&aacute;vamos mais do que acreditamos hoje neste regresso ao passado que &eacute; O Dia da Revela&ccedil;&atilde;o ( Disclosure Day ), o novo Spielberg que acaba de chegar &agrave;s salas. &Eacute; disso que falamos neste epis&oacute;dio, da magia desses n&atilde;o humanos que h&aacute; 50 anos se faziam anunciar (entre outras coisas) atrav&eacute;s de uma montanha de pur&eacute; de batata, e que se repetiu mais tarde, em 1982, com ET , mas que n&atilde;o volta agora. Spielberg parece ter-se adaptado rapidamente &agrave; nova forma (e velocidade) de contar hist&oacute;rias &mdash; a hist&oacute;ria &eacute; a mesma mas a fantasia j&aacute; n&atilde;o nos toca como antes. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  15. Jean Moulin, Thomas Mann, Estaline: viagem pelo mundo de ontem que pode ser o de hoje from No escuro, opens in a new tab

    Jun 5, 202627 min

    Dois procuradores, do bielorusso Sergei Loznitsa : a partir de agora n&atilde;o vai ser poss&iacute;vel continuar a sustentar que a obra de fic&ccedil;&atilde;o do realizador &eacute; menos interessante ou grandiosa do que a obra documental. Sim, j&aacute; havia My Joy , com que Loznitsa se estreou na longa de fic&ccedil;&atilde;o. Era um filme de tonalidade lynchiana. Mas o barroquismo de exerc&iacute;cios seguintes, a cotejar com o excesso felliniano, come&ccedil;ou a fazer pender o centro de gravidade do cinema de Loznitsa para os grandes trabalhos com as imagens de arquivo da Hist&oacute;ria sovi&eacute;tica, sobretudo da era de Estaline , a que Loznitsa dava nova vida com o som. Como o majestoso Funeral de Estado (2019) sobre as ex&eacute;quias do ditador. Donbass , h&aacute; oito anos, trabalhava a fic&ccedil;&atilde;o absurdista. Era uma obra estranha, esquiva. Dois Procuradores, ent&atilde;o , regresso &agrave; fic&ccedil;&atilde;o , traz um rigor empedernido e &eacute; mesmo um dos grandes t&iacute;tulos do ano. Na apar&ecirc;ncia de "pequeno filme", natureza miniatural, Loznitsa faz nele cinema de &eacute;poca, os anos 30 de Estaline, desde logo atrav&eacute;s do "cl&aacute;ssico" formato quadrado, da escala e arquitectura dos planos. Adapta uma novela de Georgy Demidov, homem da Ci&ecirc;ncia que passou 14 anos no gulag estalinista e que dessa experi&ecirc;ncia se serviu para uma fic&ccedil;&atilde;o escrita em 1969 que s&oacute; seria publicada em 2009. Conta a aventura kafkiana de um zeloso procurador ao servi&ccedil;o da verdade bolchevique que se d&aacute; conta tarde demais que a verdade &eacute; uma viagem, como aquela de My Joy , sem regresso. Estaline &eacute; a presen&ccedil;a no cinema de Loznitsa. O seu rosto, de forma expl&iacute;cita e impl&iacute;cita. O "filme de &eacute;poca" &eacute; uma forma de iluminar o presente. O cinema tem estado a&iacute;, inquieto com o mundo &agrave; volta. &Eacute; um dos balan&ccedil;os a fazer do Festival de Cannes, ou at&eacute; mesmo do seu palmar&eacute;s, e &eacute; essa viagem, europeia, assinale-se, que fazemos neste epis&oacute;dio: com o escritor Thomas Mann, num filme, Fatherland , de Pawel Pawlikowski , que reconstitui o regresso do escritor &agrave; sua Alemanha no p&oacute;s-guerra, ou com o her&oacute;i da resist&ecirc;ncia francesa Jean Moulin. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  16. Já temos dois Salazares. Só falta mais um... from No escuro, opens in a new tab

    May 29, 202641 min

    Jos&eacute; Filipe Costa psicanalisa o pai nosso . Isto &eacute;: psicanalisa-nos. Pai Nosso, Os &Uacute;ltimos Dias de Salazar n&atilde;o &eacute; um filme sobre o passado. Como ali&aacute;s est&aacute; a acontecer hoje com muitos "filmes de &eacute;poca": s&atilde;o mensagens para o presente. Mostrar o tempo que passou, o que j&aacute; esquecemos e o que permanece latente. Isto acontece nas salas esta semana. Em Setembro, Jo&atilde;o Botelho estrear&aacute; O Velho Salazar . Tudo diferente e tudo igual. Ali&aacute;s, um completa o outro. O primeiro &eacute; on&iacute;rico, fantasmag&oacute;rico. Disse-nos um dia Jos&eacute; Filipe Costa: "O passado n&atilde;o &eacute; uma coisa fixa, o passado &eacute; mem&oacute;ria. E o cinema efabula. Deve muito &agrave; Hist&oacute;ria, mas ao mesmo tempo n&atilde;o lhe deve. As narrativas cinematogr&aacute;ficas v&atilde;o a lugares onde a Hist&oacute;ria n&atilde;o chega". Tudo se passa em S&atilde;o Bento, huis clos e ambiente de folie , quando Salazar (Jorge Mota), depois do AVC, continua a pensar que &eacute; ele que ainda lidera o governo, e Maria de Jesus (Catarina Avelar) garante esse teatrinho do poder. O segundo &eacute; mais farsante mas a partir de dados e factos cronol&oacute;gicos. Como um falso document&aacute;rio. N&atilde;o h&aacute; dois sem tr&ecirc;s? Diria o outro que sim... No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert , gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet ( Rodrigo Amado , Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  17. Cannes: nos bastidores de um dos maiores festivais de cinema do mundo from No escuro, opens in a new tab

    May 22, 202639 min

    O que &eacute; que importa realmente num festival de cinema? Os filmes? A passadeira vermelha? A avaliar pelas fotografias que as ag&ecirc;ncias enviam diariamente sobre a 79.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do Festival de Cannes , &eacute; a segunda, onde desfilam os "talentos" vestidos por costureiros e disputando a aten&ccedil;&atilde;o de um p&uacute;blico que n&atilde;o perde este desfile de estrelas &mdash; mesmo que perca os filmes. Entretanto, nas salas de cinema, os cr&iacute;ticos (os que ainda existem) v&ecirc;m os filmes e tentam produzir discurso sobre eles. Vasco C&acirc;mara &eacute; o enviado do P&Uacute;BLICO a Cannes e conta-nos o que &eacute; esta vida dupla que a pequena cidade da Riviera francesa vive por estes dias, compara o ambiente de hoje com o do passado, explica como actores, realizadores, jornalistas e um n&uacute;mero crescente de influencers se movem no universo do cinema, gerindo interesses e necessidades distintos para responder a p&uacute;blicos distintos. Neste epis&oacute;dio do No Escuro vamos, portanto, espreitar os bastidores de Cannes, mas vamos tamb&eacute;m falar de N&atilde;o Desviar o Olhar , filme de J&uacute;lio Alves que passou recentemente no IndieLisboa e que nos traz o olhar de quatro cr&iacute;ticos de cinema &mdash; Vasco C&acirc;mara, Lu&iacute;s Miguel Oliveira (tamb&eacute;m do P&Uacute;BLICO), In&ecirc;s Louren&ccedil;o e Ricardo Vieira Lisboa &mdash; sobre os filmes que os marcaram. &Eacute; uma viagem pelas imagens que (lhes) povoam a vida e uma reflex&atilde;o sobre o que &eacute; isso de ser cr&iacute;tico de cinema. Vamos andar, por isso, sempre No Escuro &mdash; mas sem esquecer a passadeira vermelha. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert , gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet ( Rodrigo Amado , Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  18. Da curta feita na escola de cinema à adaptação de Coetzee, estes são portugueses em Cannes from No escuro, opens in a new tab

    May 15, 202649 min

    S&atilde;o duas curtas e uma longa, tr&ecirc;s filmes, tr&ecirc;s realizadores portugueses que v&atilde;o estar no festival de cinema de Cannes (de 13 a 24 de Maio). Tiago Guedes, realizador da longa, Aqu&iacute; , adapta&ccedil;&atilde;o da Triologia de Jesus de J.M. Coetzee, Daniel Soares , realizador de Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio , e Clara Vieira , estudante de cinema, que viu com surpresa a sua primeira obra, um trabalho para a escola intitulado Onde Nascem os Pirilampos , seleccionada para o festival franc&ecirc;s. &Eacute; com eles que conversamos neste epis&oacute;dio do No Escuro. Quisemos saber o que esperam de Cannes, o que significa para um realizador a presen&ccedil;a neste festival (mesmo quando, como acontece com Aqu&iacute; , n&atilde;o seja a concurso), mas sobretudo quisemos ouvi-los falar dos seus filmes. Aqu&iacute; passa-se num n&atilde;o-lugar, numa l&iacute;ngua que, por vontade do escritor, se quis outra e portanto &eacute; o espanhol, traz um pai e um filho sem passado, uma fam&iacute;lia que se tenta construir enquanto tal, a dan&ccedil;a como forma de entender o mundo e um universo que se abala e recomp&otilde;e atrav&eacute;s de uma crian&ccedil;a que esconde mist&eacute;rios que &eacute; melhor n&atilde;o tentarmos compreender nem explicar. No filme de Daniel Soares, o t&iacute;tulo &eacute; literal e a narrativa fragment&aacute;ria leva-nos ao longo das margens de um rio revelando o absurdo que existe nos insignificantes momentos do quotidiano, enquanto a obra de Clara Vieira &eacute; um trabalho pensado de forma colectiva, em torno de um grupo de amigos, um bosque, os seus mist&eacute;rios e as suas descobertas, um espa&ccedil;o com algo de fant&aacute;stico que traz ecos do realizador tailand&ecirc;s Apichatpong Weerasethakul. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert , gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet ( Rodrigo Amado , Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  19. A Inteligência Artificial vai exterminar-nos? Primeiro No Escuro ao vivo from No escuro, opens in a new tab

    May 8, 202645 min

    Ghost in the Machine , de Valerie Veatch, foi um dos t&iacute;tulos em destaque no &uacute;ltimo Sundance Film Festival e foi um dos filmes programados no Indielisboa , festival que ainda decorre. Por causa desse document&aacute;rio, No Escuro saiu pela primeira vez do est&uacute;dio de grava&ccedil;&atilde;o e participou num debate &mdash; aconteceu no &uacute;ltimo fim-de-semana, na Culturgest, em Lisboa &mdash; que tentava enquadrar a torrencial muralha de informa&ccedil;&atilde;o, d&uacute;vidas e ang&uacute;stia que do filme se liberta. O que &eacute; a Intelig&ecirc;ncia Artificial e que for&ccedil;as, ideol&oacute;gicas, pol&iacute;ticas, a dominam? Onde j&aacute; vai a idade dourada, salv&iacute;fica, da rela&ccedil;&atilde;o do homem com a tecnologia? &Eacute; o tempo, hoje, do "tecno-fascismo"? Em suma, &eacute; desta que vamos ser exterminados? Ou esta ang&uacute;stia &eacute; apenas a en&eacute;sima varia&ccedil;&atilde;o de um medo ancestral do homem perante a m&aacute;quina? Participaram neste debate dois c&eacute;pticos e um optimista. &Eacute; o que podemos chamar, optimista, a Jos&eacute; Bragan&ccedil;a de Miranda, professor da Lus&oacute;fona, especialista em Teoria da Cultura e dos Media , Cibercultura e Artes Contempor&acirc;neas. Talvez seja, no caso dele, a sedu&ccedil;&atilde;o do caos. J&aacute; Bruno Abib, que estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e desde 2017 trabalha como montador em curtas e longas-metragens de fic&ccedil;&atilde;o e document&aacute;rio, e Catarina Rao, designer gr&aacute;fica que tem desenvolvido o seu trabalho numa vertente mais pessoal e tamb&eacute;m para marcas comerciais, t&ecirc;m metido as m&atilde;os na massa, como se costuma dizer. Utilizam ferramentas da IA. E est&atilde;o num momento de d&uacute;vida e de questionamento pessoal. Oi&ccedil;am-nos. No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert , gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet ( Rodrigo Amado , Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

  20. Entre "O Diabo Veste Prada 2" e "Divina Comédia" fazemos a nossa escolha from No escuro, opens in a new tab

    May 1, 202633 min

    No Escuro, connosco, &eacute; &agrave;s claras: encorajamos vivamente Divina Com&eacute;dia , de Ali Asgari, resistimos ao condicionamento que &eacute; a opera&ccedil;&atilde;o chamada O Diabo Veste Prada 2. Chamem-lhe resist&ecirc;ncia, chamem-lhe o que quiserem: para qu&ecirc; precipitarem-se por estes dias em direc&ccedil;&atilde;o ao novo duelo entre Miranda Priestly e Andrea Sachs, j&aacute; que as vossas expectativas ser&atilde;o derrotadas &mdash; reparar&atilde;o que todas as personagens est&atilde;o agora &agrave; procura da sua humanidade perdida e que a boa e velha maldade foi apagada &mdash;, quando t&ecirc;m a possibilidade de se divertirem de forma inteligente com o absurdo do mundo? O primeiro filme j&aacute; todos sabem o que &eacute;. O segundo, n&atilde;o: &eacute; uma com&eacute;dia negra, passada em Teer&atilde;o, em que um realizador, de motoreta como Nanni Moretti em Querido Di&aacute;rio , anda pelos c&iacute;rculos do Inferno a tentar que as autoridades iranianas autorizem a exibi&ccedil;&atilde;o do seu filme. Nanni &eacute; um f&atilde;, exibiu o filme na sua sala de cinema em Roma. Quem avisa, amigo &eacute;: Divina Com&eacute;dia! No Escuro &eacute; um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco C&acirc;mara , para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A m&uacute;sica do gen&eacute;rico &eacute; um excerto de The Hidden Desert , gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet ( Rodrigo Amado , Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

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Observed September 20, 2026.

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